
Os trabalhadores da Owens Illinois São Paulo demonstraram mais uma vez que são a força que move a produção e garante os resultados da empresa. O índice de 2,36% alcançado na Participação nos Lucros e Resultados (PLR) não caiu do céu. É fruto direto do esforço diário dentro da fábrica, da dedicação de cada trabalhador e trabalhadora e da organização coletiva que se fortalece a cada luta.
Durante todo o processo, O Sindicato dos Vidreiros e Vidreiras e a Comissão de Trabalhadores tiveram papel decisivo ao acompanhar os indicadores, cobrar transparência e dialogar com a categoria. Esse resultado reforça um ponto central: quando há unidade e organização, a classe trabalhadora avança.
Mas, enquanto o lucro cresce, a realidade fora da fábrica aperta. E é aí que a contradição aparece de forma escancarada. A mesma empresa que reconhece o desempenho produtivo com a PLR apresenta uma proposta insuficiente para o vale-alimentação, com apenas 8% de reajuste, número que não acompanha nem de longe o aumento do custo de vida.
Em São Paulo, onde a cesta básica segue entre as mais caras do país, o trabalhador já enfrenta dificuldades para fechar o mês. Com a inflação dos alimentos pesando no bolso, aceitar um reajuste abaixo da realidade é empurrar o trabalhador ainda mais para o sufoco.
A conta não fecha. Quem produz mais, ganha menos na hora de garantir o básico. Comida não é luxo, é necessidade. Vale-alimentação digno não é benefício, é respeito.
A reivindicação da categoria é clara e justa: reposição real do poder de compra, equiparação com valores mais dignos já praticados em outras unidades e valorização concreta de quem gera o lucro da empresa. Não se trata de exagero, mas de garantir condições mínimas para viver com dignidade.
O recado dos trabalhadores é direto: sem valorização de verdade, não há acordo. A luta continua, porque trabalhador não come promessa.

