No dia 21 de outubro de 2025, a empresa Vertco Blindagens, localizada em Mogi das Cruzes, procurou o Sindicato dos Vidreiros e Vidreiras, por meio da advogada da empresa, munida de procuração, para tratar de um grave ataque aos direitos da categoria. Na ocasião, a empresa comunicou a intenção de demitir 264 trabalhadores, com pagamento das verbas rescisórias de forma parcelada, tendo como data prevista para as demissões o dia 30 de outubro.
Após ouvir as alegações da empresa, o Sindicato foi firme e categórico. Não aceitamos homologação parcelada e deixamos claro que uma medida dessa gravidade só poderia ser tratada na esfera judicial. Diante dessa posição, a advogada da empresa solicitou sigilo, pedindo que o Sindicato não levasse a informação aos trabalhadores. O Sindicato, fiel ao seu compromisso histórico com a transparência e a defesa da categoria, recusou-se a agir nas sombras e foi até a porta da fábrica informar os trabalhadores sobre o que estava sendo articulado.
No dia 27 de outubro, o jurídico do Sindicato formalizou sua posição por e-mail à empresa, reafirmando que não haveria acordo coletivo com objetivo de parcelar verbas rescisórias e que qualquer homologação deveria ocorrer de forma judicial. No dia seguinte, 28 de outubro, a advogada da empresa respondeu insistindo novamente no pedido de sigilo.
Em 3 de novembro, a Vertco enviou novo e-mail, afirmando que o assunto não foi conduzido da maneira esperada pela empresa, atribuindo isso à assembleia realizada com os trabalhadores. A empresa declarou, então, encerradas as negociações com o Sindicato. Em outra mensagem, alegou estranheza pelo fato de o Sindicato supostamente não reconhecer a autorização do escritório que a representava, apesar de ter sido reenviada a procuração que concedia poderes para negociar. Cabe ressaltar que quem anteriormente havia desqualificado esse escritório foi a responsável pelo setor de Recursos Humanos à época, que, ao que tudo indica, já não faz mais parte do quadro da empresa.
Além disso, é fundamental alertar a categoria para outros fatos preocupantes. Diversos trabalhadores da Vertco foram deslocados por quatro a cinco meses para atuar em Jarinu, na empresa Ópera. Há informações sobre uma possível ligação entre Vertco e Ópera, ainda não esclarecida, e relatos de trabalhadores de que a Vertco poderia encerrar suas atividades, com a Ópera assumindo os trabalhos futuramente. Diante desse cenário, o Sindicato chama a atenção para a necessidade de vigilância permanente e defende a unidade entre os trabalhadores da Vertco e da Ópera, para que juntos possam construir uma saída coletiva caso ocorram demissões em massa.
O Sindicato também tem recebido inúmeras ligações de trabalhadores apreensivos com sinais claros de instabilidade. O vale-transporte, que sempre foi pago integralmente, passou a ser pago de forma fracionada, gerando insegurança. Soma-se a isso a preocupação com a possível retirada de maquinário da empresa, um indício grave que não pode ser ignorado.
O Sindicato dos Vidreiros e Vidreiras reafirma que não compactua com manobras que retirem direitos, não aceita acordos lesivos e seguirá ao lado da categoria, denunciando irregularidades, informando os trabalhadores e lutando para que nenhum direito seja retirado. Unidade, organização e mobilização seguem sendo nossas principais armas.

